Clareamento Dental com técnica associada, aplicação

Prof. Dr. Alessandro D. Loguercio
Universidade Estadual de Ponta Grossa – Mestrado em Odontologia Rua Carlos Cavalcanti, 4748, Bloco M, Sala 64A – Uvaranas Ponta Grossa, Paraná, Brasil – CEP 84030-900  – e-mail: aloguercio@hotmail.com

O clareamento de dentes com vitalidade é o tratamento mais conservador para dentes com alteração de cor e com menores custos ao paciente quando comparado a tratamentos restauradores, como facetas de porcelana, coroas ou restaurações adesivas (Barghi et al., 1998).

Desde a introdução do peróxido de carbamida há exatos 30 anos (Haywood, Heymann, 1989), e mais recentemente do peróxido de hidrogênio para clareamento caseiro, novas técnicas e produtos tem sido desenvolvidos. O
clareamento caseiro tem mostrado altas taxas de sucesso, logo após o término do procedimento, mas principalmente manutenção dos resultados ao longo do tempo (Ritter et al., 2002; Brunton et al., 2004; Meireles et al., 2009).

Contudo, existem relatos de uma resposta muito lenta de alguns pacientes em relação ao clareamento caseiro (Barghi et al., 1998) e, os pacientes demandam cada vez procedimentos mais rápidos para obterem os seus dentes mais claros. Isto tem levado ao desenvolvimento de agentes clareadores para consultório com ou sem a aplicação de luz. Infelizmente, os procedimentos clareadores têm efeitos adversos, tais como a irritação gengival e a sensibilidade dental, e no caso do clareamento em consultório, este procedimento tem se demonstrado bastante agressivo ao tecido pulpar (Costa et al., 2009).

Sendo assim, a tendência atual tem sido: 1) a associação de técnicas (consultório e caseiro) para a obtenção de resultados menos agressivos para o tecido pulpar e mais duradouros no que tange a longevidade do clareamento (Deliperi et al., 2004; Matis et al., 2009) e; 2) a utilização de agentes desensibilizantes previamente a realização do clareamento, a fim de diminuir a sensibilidade provocada pelos agentes clareadores, especialmente de consultório (Armênio et al., 2008; Tay et al., 2009; Kose et al., 2009).

Sendo assim, o relato de caso a seguir, associa o clareamento em consultório com o caseiro, sendo demonstrada a técnica de aplicação de um agente dessensibilizante previamente ao início do procedimento clareador.

Relato de caso

Paciente procurou tratamento por estar insatisfeita com a coloração de seus dentes (Figura 1), que como pode ser visto na Figura 2 foi mensurada como A3. A seguir, fez-se a proteção gengival (Gingi Dam, Villevie, Joinville,SC) e a aplicação do abridor de boca (Figura 3). O dessensibilizante utilizado foi o gel de nitrato de potássio a 5% e fluoreto de sódio a 2% (Sensis 2%, Villevie, Joinvile, SC), que foi aplicado antes do clareamento em todas as faces vestibulares dos dentes (Fig. 4). O gel permaneceu sobre os dentes por 10 minutos, e após foi esfregado por 20 s com taça de borracha. O desensibilizante foi lavado e os dentes foram secos. A seguir, aplicou-se o agente clareador em consultório (Mix One Supreme 35%, Villevie, Joinville, SC). No caso deste produto ele já vem dentro de uma “caneta com pincel” para ser aplicado diretamente sobre os dentes, tornando este procedimento mais rápido, fácil e ergonômico (Fig. 5 e 6). O gel foi aplicado uma vez por 15 minutos, sendo a seguir removido com cânula de sucção endodôntica (Fig. 7). O gel desensibilizante foi novamente aplicado (Fig. 8) e o paciente foi instruído a utilizar o gel de peróxido de carbamida 16% (Mix Night, Villevie, Joinville, SC), para uso na técnica caseira por até 4 horas diárias (Fig. 9-11).

Considerações finais

Apesar de existirem relatos de boas taxas de clareamento, tanto com a técnica caseira, como com a técnica em consultório, a associação das duas tem proporcionado resultados mais previsíveis e duradouros, em comparação com a técnica apenas de consultório (Deliperi et al., 2004; matis et al., 2009). Se for associada a estas técnicas a aplicação de agentes desensibilizantes, a chance de diminuição de efeitos adversos é muito grande, já que recente estudo clínico de clareamento em consultório demonstrou drástica redução de sensibilidade quando um gel desensibilizante semelhante ao usado no presente caso clínico (Dessensibilize 2%, FGM Prod. Odont. Ltda, Joinville, SC) foi aplicado previamente ao uso do peróxido de hidrogênio a 35% (Whiteness HP 35%, FGM Prod. Odont. Ltda, Joinville, SC). A instrução de uso de agentes
desensibilizantes na moldeira parece ser uma técnica promissora, mais ainda carece de resultados na literatura científica.

Referências bibliográficas

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Costa CAS; Riehl H; Kina JF; Hebling J. Human pulps response to a
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Haywood VB, Heymann HO. Nightguard vital bleaching. Quintessence
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desensitizing agent used before in-office tooth bleaching. J Am Dent
Assoc. 2009 Oct;140(10):1245-51.

caso-6

Legendas das figuras

Figuras 1 e 2 – Aspecto inicial dos dentes do paciente e mensuração
da cor dos dentes (A3).
Figura 3 – Aspecto após aplicação da barreira gengival e do protetor
lingual
Figura 4 – Detalhe da aplicação do agente desensibilizante
Figuras 5 e 6 – Agente clareador utilizado. Observe na Figura 6 que,
ele é uma “caneta-pincel” que é aplicado diretametne sobre a
superfície dos dentes.
Figuras 7 e 8 – Remoção do gel clareador e reaplicação do agente
desensibilizante
Figuras 9 a 11 – Gel clareador utilizado, sendo aplicado na moldeira
pelo próprio paciente e após praticando a colocação da moldeira na
boca, ainda no consultório.
Figuras 12 a 14 – Resultado final obtido (cor B1), sendo visto de
frente e de lado.